por Fernando Martines

Você está na sala. O celular, no quarto. Ele toca. Você sai correndo loucamente para atendê-lo. Talvez em breve isso não seja mais necessário. Pesquisadores da faculdade alemã de tecnologia Hasso-Plattner Institute estão trabalhando em um projeto que irá permitir controlar um iPhone sem tocá-lo, usando a palma da mão como se fosse a tela touch-screen do aparelho. Ou seja, quando o celular tocar, bastará esticar sua mão e atender a ligação, como se estivesse com o iPhone na mão. Um sistema de viva-voz permitirá a conversa, sem que seja necessário mexer mais do que as mãos.

Editora Globo No Imaginary Phone, você controla o aparelho por meio da palma da mão// Crédito: Divulgação

O projeto se chama Imaginary Phone e por enquanto funciona com uma câmera apoiada em um tripé registrando os movimentos da pessoa, uma software próprio que lê esses sinais e envia a ordem por Wi-Fi ao iPhone, que a coloca em prática. Não são necessários gestos novos, exóticos ou mirabolantes para cada ação. Ao contrário. Os pesquisadores conduziram um pequeno estudo que mostrou que a maioria dos donos do smartphone da Apple sabem onde estão seus aplicativos sem mesmo olhar para a tela. Assim, no Imaginary Phone, as pessoas devem usar as palmas da mão como se fossem a tela: se o app do seu e-mail está no canto superior esquerdo, toque no canto superior esquerdo da sua mão que você irá acessá-lo.

O Imaginary Phone faz parte de um projeto maior chamado Interfaces Imaginárias, conduzido pelos cientistas Patrick Baudisch, Sean Gustafson e Christian Holz. “Nós cremos que essas tecnologias serão importantes quando, no futuro, forem criados aparelhos ultra pequenos e móveis que não terão espaço nem mesmo para uma tela”, explicou Baudisch em entrevista a Galileu.

 Será que não fica confuso usar a palma da sua mão com se fosse seu iPhone, já que apertar um centímetro para o lado pode resultar em acessar o aplicativo errado? Christian Holz garante que é ao contrário: “Em geral as pessoas tem mãos maiores do que a tela de um iPhone [vale lembrar que no Imaginary Phone toda a extensão da mão é usada: da ponta do dedo indicador ao limite entre mão e punho] e isso dá uma área maior para os apps, o que facilita acessar aqueles que são menores”. Na transição da tela para mão, é como se tudo ficasse maior.

Impressiona ver no vídeo acima uma pessoa controlando o iPhone mexendo na palma da mão – algo que remete a um futuro de ciborgues, quando nossa mão será também nosso celular. Só que é ainda mais impactante ter uma noção clara de como a relação entre homem e máquina é cada vez mais natural, orgânica. Assim como respiramos e andamos sem pensar sobre isso, também já manuseamos o celular sem a necessidade de nos concentrar. Podemos mexer nos aplicativos e usar esse tempo raciocinando em como pedir desculpa para a pessoa amada (outros se perguntam se isso não levaria a uma automatização da vida). Não que seja novidade completa, já que há mais de um século trocamos de marcha nos automóveis sem olhar para o câmbio e sem ficar na expectativa de quando é o momento: é instintivo, quando a hora de passar para a quarta chega, você passa, sem nem pensar e sem olhar, e continua a conversa com o amigo que está no passageiro. Sean Gustafson contou por e-mail como foi o método de pesquisa dos hábitos de pessoas com seu iPhone para o Imaginary Phone ser concebido:

“Esse estudo foi realizado no café da nossa universidade. Nós juntamos um grupo de estudantes e empregados (12 no total) que usam o iPhone diariamente e o carregam sempre junto de si. Para começar, o estudante desbloqueava o iPhone e, sem olhar para a tela, nos entregava o aparelho. Daí então, passávamos a pedir que ele identificasse onde estavam localizados cada um dos aplicativos em sua tela. Por exemplo, ‘Onde está o E-mail?’. Metade dos participantes tinham que responder a pergunta usando uma foto de uma tela do iPhone vazia, sem nenhum ícone. A outra metade teve que fazer estes apontamentos na palma da mão. Para este segundo grupo nós primeiros demos um esquema de mapeamento simples: cada coluna de aplicativos do iPhone correspondia a um dedo e cada app correspondia a uma parte do dedo. Assim, o app no canto superior direito correspondia ao último trecho do dedo indicador.

Após feito os estudos, chegamos a conclusão de que aqueles donos de iPhone são capazes de indicar a localização correta de 68% de seus aplicativos no desenho e um percentual apenas um pouco menor na alma de suas mãos.

Desse resultados tiramos suporte para duas afirmações que são essenciais para as operações no Imaginary Phone: pelo uso regular do aparelho, donos de iPhone aprendem a disposição espacial de seus aplicativos na tela; esse layout da tela do iPhone pode ser facilmente transferido para a palma de uma mão”.

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Vrim| RJ | Rio de Janeiro | 02/06/2011

Claro que não.

eduardo| RJ | Rio de Janeiro | 02/06/2011

Essa tecnologia está ultrapassada... já é possível usar a força do pensamento pra acessar tais aplicativos....

var verificaRestricaoUsuarioMateriaCallback = function(url) {if (url!=null && url!='') {document.location = url;}}RestricaoMateriaWebRemoteBean.verificaRestricaoUsuarioMateria(17770,238098,'',verificaRestricaoUsuarioMateriaCallback);

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